Memórias póstumas de uma vida em branco.

(Oi, sou eu, o Verme. Caso estranhíssimo. De uma carcaça insepulta vos falo. A interlocutora de direito renunciou à matéria de fato. Não quer manifestar-se. Ofereceu-me apenas estas vagas reticências. Parece que não quer comprometer-se. Como se nessa altura da morte pudesse mudar alguma coisa. Tudo o que tenho então são as minhas parcas impressões. Vejamos. Pele alva. Muito, muito alva. No rosto a expressão de uma lânguida insensatez num misto de estúpida altivez. E é isso. Tenho dito. Só para não passar a morte em branco.)   

Vilões da mudança: Motivação errada.

Olá, tudo bem? Me diga uma coisa, você já tentou alcançar metas ou perseguir sonhos que envolviam fazer mudanças pessoais? Se já, então sabe que nem sempre as coisas fluem como gostaríamos. Existem algumas variáveis que podem atrapalhar (e muito!) nosso avanço. Para falar dessas variáveis tomei a liberdade de, carinhosamente, dar-lhes a alcunha de “vilões da mudança”.

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Seguindo com esta série, conversaremos sobre como uma motivação errada pode ser um empecilho.  Eu já falei aqui sobre como é importante encontrar uma motivação válida para nos impulsionar e sobre quão poderosa pode ser essa força. Ocorre que, se não tivermos bom critério e escolhermos os motivos errados para mudar, o tiro pode sair pela culatra. Isto porque motivos errados costumam mais oprimir do que impulsionar.

Sobre isso eu já aprendi uma lição importante. Explico. Alguns anos atrás eu passei por diversos percalços que me deixaram um tanto desestabilizada emocionalmente. Na época, uma amiga muito querida sugeriu a leitura de um livro que lhe tinha sido bem útil. Eu, que até então não era muito fã de livros de ‘autoajuda’, fiquei um pouco resistente, mas em vista do nível de fragilidade em que me encontrava, por fim, cedi.

E que bom que eu fiz isso. O livro em questão chama-se “O que você sente pode ser curado” do escritor e terapeuta John Gray.  É um livro que fala sobre coragem e amor. Coragem de olhar para dentro de nós mesmos, em busca do autoconhecimento, algo que pode nos levar a superar as emoções que nos impedem de amar, a nós e a outros. É bastante esclarecedor, leia, recomendo.

“Tá bom Fernanda, e o que isso tem a ver com o assunto “motivação” do post?” – Calma, eu chego lá. Sabe aquele dito popular: “Uma imagem fala mais que mil palavras”? Pois bem, uma imagem específica daquele livro me falou mais do que um milhão de palavras jamais poderia. (Aliás, as ilustrações da Mariana Massarani são sensacionais neste livro, mexem mesmo com as emoções). Dá uma olhada:

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Ilustração incrível da Mariana Massarani no livro “O que você sente pode ser curado. Um guia para enriquecer relacionamentos.” – Editora Rocco

 

O ponto que quero destacar é: Dentre as piores motivações que alguém pode ter  para querer mudar (e são muitas…), o ódio por si mesmo é a mais opressora e improdutiva.

Assim, precisamos aprender a olhar com mais carinho para nós mesmos, e permitir que o amor-próprio equilibrado nos conduza às mudanças que tanto almejamos. Acreditar que merecemos, que somos dignos de chegar onde queremos,  pode ser difícil para alguns de nós, mas, é sério,  faz  uma diferença inacreditável. O contrário disso, ou seja, não acreditar que somos merecedores, faz com que sabotemos toda e qualquer chance de sucesso.

Portanto, busquemos dentro de nós, com compaixão, a motivação que vai nos levar tão longe quanto somos capazes de acreditar.

Até a próxima!

 

 

Senda do mais uma vez.

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Caminho pesadamente por este caminho,
(num ritmo cadenciado)
e as pisadas soam pesadas ante o silêncio.
( shhhh… silêncio…é madrugada…)
O pesar e o pisar, apesar de contundentes,
fundem-se;

E perfuram-se e
afundam-se no farfalhar das folhas secas.
Pesada está a mente, enquanto caminho ( pesadamente )

por esta senda há muito obsoleta.

O ar aqui está rarefeito. É raro, feito
simplesmente para encher o peito…
De um raro efeito borboleta.

(E tudo parece recomeçar, mais uma vez)

Despojar-se.

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Mudar é um querer muito

e um não querer mais,

na mesma intensidade.

“Ser ou não ser” não é mais a questão.

É um despertencer da ilusão de quem julgamos ser.

Talvez até seja a edificação de uma nova ilusão,

quem o pode saber?

 

E digo ‘talvez’ só por amor ao benefício da dúvida,

só para parecer que sou justa…

porque no fundo, no fundo,

eu sei que tudo é uma ilusão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não desista.

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Nós, homo sapiens, nem sempre tão sábios, somos por vezes tão contraditórios em nós mesmos, que nos inundamos de conflitos. Conflitos armados. Armações do subconsciente. Armados até os dentes. Pura armação. Baita incongruência.

Sobre essas contradições, trouxe a letra de uma canção/poesia/obra de arte do Oswaldo Montenegro, que traduz belamente a discrepância das nossas metades e mostra que algo dentro de nós não quer desistir, apesar de tudo.

 

Metade
Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também

 

Que a força do amor continue nos motivando!

Ouça essa linda canção aqui.

Até breve!

Vilões da mudança: Perfeccionismo.

IMG_5097Realizar mudanças, alcançar metas e sonhos tem lá seus obstáculos. E existem alguns “vilões” que insistem em tentar entrar no nosso caminho para dificultar as coisas. Resolvi falar brevemente sobre alguns desses “malvados” que podem nos desmotivar à beça, se permitirmos. Para começar essa série escolhi o que, do meu ponto de vista, tem sido o vilão mor, o Osama Bin Laden das motivações, o chefão de todos os vilões: o perfeccionismo. (som de risadas maquiavélicas ao fundo…)

Se você não é perfeccionista talvez até tenha achado essa minha introdução um pouco dramática, mas se você é, ah… tenho certeza que entende quando eu comparo o perfeccionismo a um conhecido terrorista…

O fato é que o perfeccionismo, dependendo do grau, tem um poder altamente paralisante na nossa vida. Assim como o terrorismo usa o medo como uma arma poderosa, o perfeccionismo traz consigo  o medo de falhar e o medo de não ser bom o suficiente.

Quantas vezes descartamos  projetos que desejamos tanto por puro medo de um possível fracasso? Quantas vezes adiamos tomadas de decisões importantes na direção de nossas metas por medo de não estar à altura de novas responsabilidades?

Eu passo por isso o tempo todo. Sou uma perfeccionista em contínuo aperfeiçoamento! (Deu para sentir o nível da minha patologia, né? 😜)

Brincadeiras à parte, o perfeccionismo é um entrave e tanto na nossa confiança e criatividade. Normalmente atuamos muito bem na nossa zona de conforto, onde nossas habilidades já se confirmaram. Mas o novo, o desconhecido, vêm recheados de apavorantes incertezas…

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Você é do tipo que tem esse pensamento: “só vou fazer isso se tiver absoluta certeza que vai dar certo, de que vou realmente ser capaz”? Então, sinto informar, mas pensando assim não chegaremos a lugar nenhum. ( Perceba que me incluí nessa frase…)

Sabe por que esse pensamento é contraproducente? Porque a certeza do sucesso só é palpável quando estamos bem próximos dele, ou seja, depois de percorrer todo um caminho de incertezas…

Assim, se desejamos algo novo na nossa vida, nos resta, primeiro, aprender a relaxar um pouco; segundo, estar dispostos a suportar um punhado de dúvidas; e, finalmente, acreditar que mesmo com nossas limitações e imperfeições, podemos chegar onde desejamos.

E você? Também é perfeccionista? Tem alguma estratégia que tem te ajudado a atingir seus objetivos? Compartilhe aqui se desejar…(Quero muito aprender novas estratégias!)

Até a próxima!

 

 

 

 

 

Juntos chegamos mais longe.

Olá, tudo bem? Na sua opinião, que coisas são importantes quando o assunto é realizar mudanças, atingir metas e, consequentemente, alcançar seus sonhos?

Eu já andei falando bem brevemente por aqui o que penso sobre a importância de se possuir uma motivação válida, e não permitir que a procrastinação retarde o nosso progresso.

Hoje vou falar sobre a importância de possuir uma rede de apoio. A importância de compartilhar.  A palavra “compartilhar” possui um etimologia bem intuitiva: o prefixo do latim “com” denota companhia  + partilhar (dividir em partes, repartir) gera  o sentido de partilhar com, dividir com.

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Assim, compartilhar significa basicamente dividir com alguém. Eu acredito que compartilhar nossas metas com pessoas de confiança pode ser um incentivo interessante para não perdermos o foco daquilo que queremos e encontrar apoio nos momentos difíceis. Sinto que compartilhar infunde em mim um senso de comprometimento maior. Não sei explicar bem, mas parece-me que, ao permitir que alguém conheça minha meta, ela deixa de ser apenas uma ideia aleatória da minha psique e passa a existir no mundo real, mais concreta. Faz sentido para você?

Embora tudo isso faça bastante sentido para mim, veja que paradoxal: compartilhar não é meu ponto forte. Como eu mencionei neste post sou por natureza uma pessoa reservada. Mas,  reconhecendo a importância de tudo o que foi supramencionado, estou devagarinho, devagarinho, criando uma rede de apoio para minhas metas, vencendo minhas barreiras emocionais, aprendendo que juntos existe uma chance maior de chegarmos mais longe.

Até a próxima!

 

 

Hoje é o dia de começar.

IMG_5094Olhei de relance no calendário e vi que estamos quase entrando no segundo semestre do ano (e vou tentar não demonstrar meu assombro/consternação/desalento diante da passagem do tempo…)

Diante dessa constatação, a pergunta que não quer calar é: “como vão indo suas metas?” Isso mesmo, aquelas que você estabeleceu  no fim/começo do ano…lembra?

Eu, em particular, não sou do tipo que faz promessas de ano novo. Mas isso não significa que, vez por outra eu não faça reflexões com o propósito de estabelecer ou reajustar metas. Talvez, agora seja um bom momento para reavaliar o andamento das coisas.

Agora peço que atente para o seguinte: A procrastinação é a inimiga da consecução.

Se havemos de chegar em algum lugar, é necessario começar a caminhar. E, ao contrário da máxima popular, o melhor dia para começar não é segunda-feira. O melhor momento de fazer isso é hoje.

Até breve!